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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2005

Batata Quente - Bernardo Alonso

Caríssimos aficionados,


Quero aproveitar esta ocasião para agradecer a amabilidade do Vasco Morgado em me delegar a batata, sei que não será fácil, pois a fasquia está bem alta. No entanto, esta minha “batata quente” surge na melhor altura pois, há muito que queria partilhar algumas ideias sobre o que eu julgo ser um conflito de gerações.


Muito se tem dito sobre os moços de forcado de hoje e de antigamente. Os antigos reclamam que no seu tempo é que era, os novos, por sua vez contestam esta ideia. Mas afinal onde é que ficamos?


A procura incessante do toiro ideal, nobre e bravo, não é o fundamento de se ser ganadero? E o moço de forcado, não é um toureiro?


A meu ver existem três pontos que separam estas gerações, são elas a evolução do toiro, da pega e a motivação de ser moço de forcado.


Puxando os “galões” de mau feitio, confesso que tenho alguma dificuldade em entender alguns antigos forcados a desvalorizar a pega e os forcados da actualidade, não sei se será alguma frustração por já não pegarem, mas alegria não é certamente….


Naturalmente que estas evoluções estão associadas, pois vejamos: o toiro do antigamente era (segundo rezam as crónicas) descrito como um animal pequeno, não sendo um animal bravo tinha a sua ferocidade, córnea defeituosa e possuía uma investida incerta, o que dificultava e de que maneira, a sorte de caras. Contudo, a metamorfose que o toiro tem tido ao longo dos tempos, através da introdução de novos sementais, de tentas, etc, mas sobretudo da aplicação da ciência à criação dos animais, permite nos nossos dias, apresentar toiros mais nobres, que colocam melhor a cara (teoricamente, pois o comportamento animal é imprevisível), o próprio esqueleto do toiro alterou-se, pois cada vez mais vemos toiros com 600 kg. Esta questão do peso, creio que surge pelo anseio do público e dos ganaderos por apresentar toiros grandes. Não se pode ignorar que a festa brava é um espectáculo onde reinam emoções, e ver 8 Homens a enfrentar um animal com ou mais 600 kg é muita emoção junta…


A própria forma de se pegar, também tem evoluído. Antigamente, em parte pela qualidade dos toiros, mas não só, as formas de se pegar os toiros eram distintas das dos nossos dias. A pega de costas, à meia volta, sobretudo esta última eram muito utilizadas.
A pega de cernelha (esta modalidade anteriormente também era executada) e a pega de largo são as mais frequentes nos nossos dias, em parte pela nobreza dos toiros mas porque, à semelhança de tudo, o Homem procura a perfeição, tendo a meu ver o forcado adquirido mais técnica ao longo dos tempos, deixando de ser um simples agarrador de toiros e tornando-se num toureiro.


No que concerne às motivações de se ser moço de forcado, é-me difícil aceitar alguns argumentos apresentados pelo “antigamente”. Antigamente, eram apenas 8 elementos, quem pegava era muito aficionado, e que não ansiava por qualquer recompensa monetária, e que a valentia imperava em cada moço de forcado, em suma eram poucos e valentes!! E que hoje em dia é moda ser-se forcado, pois proliferam grupos de forcados, recheados de elementos que procuram protagonismo social e afins.


Sociologicamente falando tenho alguma dificuldade em aceitar estes argumentos pois, se há uns bons anos atrás existia mais aficion (no meu ponto de vista), deveriam existir mais candidatos a forcado, não só por esta razão mas porque hoje em dia os jovens têm um leque de opções de actividades vastíssimo, o que dificulta o “recrutamento” de novos candidatos a forcado. Creio que a grande diferença reside na maior organização interna que os grupos possuem hoje, pelo menos os principais.


Tenho que agradecer ao meu avô por me levar a assistir a corridas, e à minha mãe por me obrigar a ver corridas na televisão quando era pequeno (obrigado mãe), desta forma nasceu a minha aficion, mais tarde, através do meu grande amigo Frederico Casimiro entrei nesta grande família,  o resto veio por acréscimo, por força do espírito de amizade reinante no melhor grupo do país, o Grupo de Forcados de Caldas da Rainha. Aqui encontrei uma escola de valores que faço questão de seguir até ao resto da minha vida.


Mas se é protagonismo que hoje em dia se procura, no GFACR não é concerteza, no caso do GFACR é um grupo de amigos que por acaso pega toiros, e posso garantir, que não se trata apenas de um mero chavão.


Batatinha Fresquinha.
Como a feira do cavalo foi há pouco tempo, a batatinha vai naturalmente para o meu grande amigo Óscar “cavalinho” Carvalho.


Pelo GFACR venha VINHO!


Abraços Bernardo Alonso

publicado por cid às 17:28

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7 comentários:
De intrusa a 30 de Novembro de 2005 às 17:57
É uma pequena ironia:
-Por acaso o último comentário
( e cito"...Se calhar já não há forcados "valentes" como antigamente...")
não significa que o GFACR se rendeu às peregrinas farpas daquele outro senhor que escreve para a revista Toiros e Cavalos, POIS NÃO?
É que às vezes as críticas destrutivas tendem mesmo assim a ser interiorizadas.
Mas essas, pelo amor de Deus, não valem o vosso tempo, por isso esqueçam-nas!
De Miranda a 29 de Novembro de 2005 às 18:43
Grande Sandokan,no teu habitual "bom feitio" sai um magnifico texto que aborda um tema que infelizmente é bastante verdadeiro... Mas a verdade é que sempre houve "Velhos do Restelo"... Os que são forcados no GFACR sabem os sacrificios que fazem para pegar e sempre com o objectivo de melhorar e não por reconhecimento ou notoriedade... E no GFACR pegam-se sempre os toiros de forma honesta, com vantagens e sempre com o objectivo de proporcionar um bom espectáculo aos que pagam o seu bilhete (quem dera que todos os intervenientes da Festa tivessem esta mesma atitude..) sempre sem receber nada que se veja... Se calhar já não há forcados "valentes" como antigamente porque hoje só é forcado quem é verdadeiramente doido e apaixonado... Mas, enquanto houver pessoas como tu, os toiros que saírem em praças portuguesas continuarão a ser pegados e bem...
De intrusa a 25 de Novembro de 2005 às 19:23
Adorei!
De Carlos Sequeira a 25 de Novembro de 2005 às 11:50
Alonso, bom texto e parabéns por manteres o nível da fasquia.
Em relação ao tema que abordas, infelizmente é uma grande verdade, no entanto estou convencido que não passa de uma pequena minoria embebida de um grande saudosismo, em que a cabeça não os acompanhou nos anos vividos.
De scar Carvalho a 25 de Novembro de 2005 às 09:43
B.A, belo texto, de facto tudo o que foi referido é Verdade, o que estes ditos amigos da festa "antigos forcados" criticam os novos forcados e grupos é feito sem o cuidado de explicitar nas suas criticas ou crónicas se é que se pode chamar crónicas, a evolução natural que houve na evolução do Toiro e tudo o que rodeia, pelos visto esquecem-se que o Toiro é o elemento principal da Tourada à Portuguesa. Um abraço e já agarrei a batata
De Nuno Vinhais a 24 de Novembro de 2005 às 22:58
Alonso. Escolheste um tema bastante interessante e abordaste-o bem. É de facto inconpreensivel alguns Forcados que já não pegam tecerem comentários desagradaveis para os que pegam nesta época referindo que "antigamente é que era".
Mas sei que é apenas uma minoria com este tipo de pensamento e que muitos antigos Forcados gostam e têm orgulho nos Forcados de hoje. Eu olho para qualquer antigo Forcado com respeito e com vontade de aprender aquilo que têm para ensinar!
Abraços
De Daniel Pedro a 24 de Novembro de 2005 às 17:41
Grande Alonso, conseguiste escrever um belo texto cheio de verdades e na qual subscrevo integralmente! Talvez as grandes conversas que tivemos na nossa casa de Benfica sobre toiros e afins, tenham servido pelo menos para revelar como semelhantes os nossos ideais taurinos e de grupo! Ah, claro, o Vinhais também concordava com alguns assuntos! Estou a brincar! Grande abraço e vamos ver o que o cavalinho tem para nos dizer...

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