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Quinta-feira, 15 de Junho de 2006

Batata Quente - Luís Miranda

Olá a todos,


Em primeiro lugar gostava de explicar que, a pedido do Serrenho (sim, ele já prometeu que pagava 4 garrafinhas…), e pela especial circunstância de ele ter sido pai de um futuro "forcadão" (se sair ao pai…Esperemos também que seja mais bonitinho…) do GFACR, vou ser eu a dar-vos umas palavrinhas e assim continuar com a nossa Batata Quente…


Também tenho de confessar que já estava com algumas saudades de escrever no blog e, como desta feita até tenho assunto, decidi aproveitar a oportunidade…


Gostava de vos falar mais como aficionado pois essa foi a principal razão pela qual me tornei forcado…


A primeira coisa que gostaria de destacar é o excelente trabalho que tem sido feito para desenvolver a Tertúlia do GFACR (um sonho antigo do Grupo…) e que graças à boa vontade e engenho de alguns está cada vez mais um espaço bastante agradável e onde é muito bom passar um bocado com os nossos amigos… Com a chegada das corridas nas Caldas o GFACR tem agora um espaço para se fardar estando em maior contacto com os caldenses…


Também aproveito para fazer publicidade à 1ª Noite de Fados do Grupo de Forcados Amadores de Caldas da Raínha que se realiza nesta próxima sexta-feira, dia 16 de Junho… Vale a pena…


Passo agora a 2 assuntos que têm andado um pouco na "boca do mundo" mas que ninguém ainda referiu neste espaço…


O primeiro é a incontornável reabertura do Campo Pequeno… Portugal volta a ter novamente aberta a sua praça de referência e, com as extensas obras a que foi sujeita, com condições impares face a qualquer outra praça de toiros do nosso país…


No entanto esta reabertura, aliás muito aguardada por todos os aficionados, é uma "faca de dois gumes"… Se por um lado a esperança de todos é a de que o Campo Pequeno venha trazer um novo ânimo à Festa Brava, com bons espectáculos, público novo e, acima de tudo qualidade e referência por outro lado o estado em que as corridas de toiros estão em Portugal (e muitos dos que estão nelas envolvidos..) não está à altura das expectativas criadas…


O que quero eu dizer com isto? A expectativa para o Campo Pequeno é altissima (como o demonstram as assistências e audiência televisiva dos primeiros 2 espectáculos realizados nesta praça) mas, tendo em conta os vários problemas que se verificam na Festa Brava em Portugal (alguns deles crónicos), pode suceder que o Campo Pequeno (e mais duas ou três praças…) passem a ser uma realidade à parte de todo o panorama taurino nacional ou, pior ainda, que o Campo Pequeno seja também "contaminado" pelos males que têm vindo a depreciar as corridas de toiros no nosso país…


A minha esperança sincera enquanto aficionado e Português é que o Campo Pequeno (praça de referência Mundial que deve ombrear com Las Ventas ou a Maestranza) "eleve a fasquia" daquilo que se faz em Portugal e assim surja como uma lufada de ar fresco que dê um impulso positivo à festa dos toiros em Portugal… E isso só pode ser possível com bons espectáculos, artistas a "darem o litro", directores de corrida e público exigentes, bilhetes a preços "ajustados" e uma permanente busca pela qualidade…


Pelo que tive oportunidade de assistir até agora recordo alguns bons momentos de toureio, algumas boas pegas (2 ou 3 excelentes..),  1 ou 2 toiros de eleição e o Hino Nacional entoado em uníssono por todos os presentes… São de facto momentos fantásticos, mas acho que falta ainda qualquer coisa…


Vou continuar com o meu renovado programa de 5ª feira (ao qual faltam agora as "míticas" roullotes) e espero assistir a muitas e boas corridas… E poder, quem sabe, ajudar o GFACR numa merecida participação (que espero seja para breve…) nesta praça…


A próxima questão que queria levantar prende-se com um assunto que todos aqueles mais ligados à forcadagem comentam mas sobre o qual ainda não vi nínguém com responsabilidades a pronunciar-se de forma clara e inequivoca… De qualquer forma, como forcado, aficionado e cidadão que sou, tenho a minha opinião que gostaria de transmitir ressalvando claramente que se trata de uma perspectiva pessoal e que não é, nem pode ser interpretada, como a posição do GFACR sobre esta questão.


Antes de mais gostaria de frisar alguns pontos prévios:


1. O Forcado é o símbolo por excelência da Festa Brava em Portugal e esse facto é inegável.


2. A actividade de Forcado (pelo menos nos dias de hoje) só faz sentido numa perspectiva de amadorismo e de amor à tradição e ao Grupo que se representa (que tipo de valor económico é que se pode dar a grupos de jovens que, com todo o risco, enfrentam toiros bravos de frente? Serão 1000€, 2000€, 5000€? E quando há lesões?)


3. A perpectiva de amadorismo não significa (nem poderá nunca significar…) que se renuncie a príncipios de qualidade nem de valores devendo até potenciá-los.


4.  Este mesmo amadorismo não significa também que os Grupos de Forcados não devam ser devidamente recompensados pelas empresas que os contratam na medida das despesas que têm (deslocações, refeições, seguros, etc.).


5. A recompensa do forcado são as palmas do público e satisfação pessoal e do seu Grupo pelo cumprimento honrado da função que lhe é pedida.


6. A busca de uma boa pega (espectacular e tecnicamente bem executada) deve ser sempre o objectivo de todos os forcados devendo o publico exigir destes que isso aconteça e recompensar ou não (e neste caso o papel do director de corrida é essencial não devendo ser um mero “corpo presente”) conforme o sucedido em cada ocasião.


7. Sendo que nem sempre uma boa pega é possivel (por motivos que vão desde o toiro, ao forcado, ao terreno, aos ajudas, etc.) existe a tradição de pegar o toiro independentemente das circunstâncias para preservar a imagem do forcado (que não desiste perante as adversidades..) e preservar a imagem do seu Grupo.


8. Assim, e tendo em conta a história, tradição e "código de conduta" dos forcados os os toiros lidados devem ser sempre pegados de forma a não regressarem "vivos"…


9. Muitos grandes (e foi em momentos desses que revelaram grandes..) forcados mostraram a sua fibra e sofreram consequências por demonstrarem a atitude necessária a pegar mesmo os toiros "impossíveis".


10. Os forcados não são "Super-homens" mas ser forcado não é para qualquer um pois exige (e durante alguns anos..) não só uma forte dedicação como uma capacidade de acção a que nem todos estarão dispostos (especialmente se tivermos em conta as circunstâncias desta actividade..)


11. È legitimo (é aliás salutar e deve ser promovido numa perpectiva de difusão do gosto pelo tauromaquia) que grupos de jovens queiram fazer parte de grupos de forcados ou queiram formar-se como grupos novos e independentes (aliás foi esse o caso do GFACR) mas estes devem ir demonstrando (e treinando..) com o tempo e as actuações que estão em condições fisicas, técnicas e psicológicas que os diferentes toiros e corridas lhes vão apresentando.


Dito isto gostaria de começar por dizer que entendo que a entidade responsável pela definição dos critérios que regem os Grupos de Forcados deve ser a mesma que, em principio, defende os interesses destes numa política de auto-regulação comum a muitas outras actividades. Neste caso concreto esse papel deve caber à ANGF.


Como aficionado (abstraindo-me para já da minha personalidade de forcado) não entendo como é que um Grupo consegue:


- Estar numa bancada à espera da sua vez para pegar um toiro a beber cervejas quando a seguir vai ter de estar frente a um toiro que irá exigir dele todas as suas capacidades.


- Mandar para a cara de um toiro jovens (e não só..) que "aterraram" numa corrida de toiros sem fazerem a mais pequena ideia do que estão ali a fazer e sem terem o mínimo de condições tecnicas para desempenharem a missão de que os incumbiram.


- Pegar ou tentar pegar toiros de qualquer maneira sem qualquer preocupação de espectáculo e sem qualquer respeito para com o público.


- Não pegar um toiro (por mais complicado que esteja) e depois continuar alegremente como se nada se tivesse passado.


Todas estas situações já se verificaram esta ano e em nada abonam a favor da imagem dos forcados em geral.


O problema, como infelizmente em muitas outras situações no nosso país, a irresponsabilidade reina e tais acções ou omissões não têm qualquer consequência. Tudo em nome de um amadorismo (que neste caso não faz qualquer sentido..) e de um "comodismo" que em nada ajuda à valorização da Festa Brava em Portugal.


Como me dizia um aficionado no outro dia (e eu tive o cuidado de verificar…) em Espanha um matador que não mate um toiro fica impedido de lidar durante 6 meses.


Ora em Espanha a tauromaquia está em alta, apesar de alguns protestos e da cada vez mais crescente oposição dos “verdes” da União Europeia, enquanto em Portugal a situação é bem diferente. Quem tem oportunidade de assistir a uma corrida no país vizinho percebe bem as diferenças que existem sendo que a principal tem exactamente a ver com a exigência que existe para com os artistas.


Porque não haver sanções (suspensão de actuar, por exemplo..) para um Grupo que não pegue um toiro? Porque não haver selecção e classificação de Grupos de forcados consoante as actuações que têm realizado e pela capacidade que demonstraram em enfrentar toiros bravos?


Ser Toureiro (a pé, a cavalo, como forcado ou como peão de brega) não é suposto ser fácil e portanto não é para todos e deve ser feita uma selecção gradual das figuras que estão aptas a sê-lo. Com critério e com justiça, só assim será possível aumentar o nível daquilo que se faz e vê dentro de praça.


Gostava então de deixar aqui o meu apelo a uma maior seriedade para que a Festa que todos gostamos e queremos preservar e fazer prosperar não “morra” nem se torne numa “palhaçada”.


Antes de terminar gostava de dizer que o texto acima é inteiramente pessoal e a única ligação que tem com o GFACR é o de eu ser forcado deste grupo e no seio dele ter recebido e visto promover um conjunto de valores que não são tão comuns assim no mundo dos toiros em Portugal.


Trata-se acima de tudo de um desabafo e de uma reflexão sobre um assunto ao qual não sou de modo algum indiferente.


Como este texto é também uma Batata Quente gostava de a passar para um grande forcado, uma vez mais bafejado pelo azar, mas que eu sinceramente gostava de ver recuperado ainda esta temporada (mostrando a fibra de que é feito...) e a pegar da forma que ele sabe... Bernardo Alonso a Batata Quente é tua...


Abraço a todos


Miranda

publicado por cid às 23:54

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3 comentários:
De Nuno Morgado a 18 de Junho de 2006 às 23:07
Muito bem Miranda, o teu texto reflecte a seriedade com que devemos viver a festa brava. Parece um paradoxo mas não é. Se por um lado “Festa” significa promoção da alegria, por outro lado, a construção desta alegria e das emoções que lhe estão associadas não se consegue com uma cultura de desleixo, desmazelo ou incúria. O gosto pela Festa Brava exige, principalmente por parte dos artistas e daqueles que nela actuam, rigor, entrega, e um profundo sentido estético e ético, que associados, lhe dão a beleza que a promove e enriquece. Concordo que seria bom que instituições “supra-grupos”, como a ANGF ou o próprio Ministério da Cultura poderiam e deveriam interferir exigindo níveis de desempenho mínimos. Se há intervenientes que privam os aficionados dessa postura desejável, é porque não tiveram a sorte de ter quem lhes ensinasse A nós o que nos cabe é continuar a cultivar uma atitude de rigor, sempre conscientes da enorme responsabilidade e peso que representa vestir a nossa jaqueta de modo a, com a graça de Deus, estarmos sempre por cima dos toiros.

Um abraço,

Nuno Morgado
De Valter Carvalho a 17 de Junho de 2006 às 22:37
Antes de mais, dou os meus parabens ao Autor do texto pelo conteudo do mesmo. Sendo aficionado e amigo do GFACR mas não tendo uma grande cultura tauromática, gostava de deixar umas curtas palavras, era bom que fossem lidas pelas identidades mais responsáveis pela imagem da Tauromaquia Nacional!
Na ultima tiragem de uma das mais vendidas revistas de Tauromaquia Nacional, lesse que existe a preocupação de levar às grandes corridas os grandes nomes da Tauromaquia, falo de toureio a cavalo, apeado, dos grupos de forcados ou mesmo dos curros de toiros. Toda esta preocupação reside em reduzir a probabilidade de as corridas serem de pouca qualidade, até nem condeno essa preocupação... Mas agora pergunto! Como é que se consegue chegar ao degrau mais alto da Tauromaquia? Como é que um grupo de forcados chega às corridas de maior responsabilidade?
Grandes nomes existem, sem duvida e com todo o mérito, mas serão só estes nomes que vão continuar a aparecer nos cartazes das corridas de grande responsabilidade?
Quero acreditar que não, mas também não me parece que existam responsáveis suficientes para analizar e avaliar o comportamento dos que se didicam à festa de toiros! A meu ver, nem todo o público em Portugal é exigente com o artista que está na arena. Será que não deviam de existir responsáveis pela Tauromaquia Nacional a analizar e a avaliar o comportamento de quem toureia? Talvez fosse esta a forma para os de que pouco nome e de muito valor têm, podessem crescer na Tauromaquia Nacional.
Parabens ao Grupo pela noite de fados, como o Francisco Andrade disse "só falta limar umas arestas para a prócima", mas não se preocupem correu bem, foi muito boa e também serviu para reunir os amigos do grupo o que é sempre bom! Um abraço a todos, Valter Carvalho.
De Frederico Casimiro a 16 de Junho de 2006 às 11:41
Grande Miranda, deixa-me dizer-te que concordo plenamente com as tuas palavras pois Amadorismo não deve ser confundido com falta de profissionalismo (apesar de não sermos pagos). Pois a falta de atitude e situações anormais em relação áquilo que se tem passado com alguns grupos e corridas não deve ser de modo algum esquecido e desculpado pois só vai pega toiros quem quer... Ninguém é obrigado, enfim...
Também concordo que a ANGF tem uma palavra a dizer e, quanto a mim, tem de se impor mais no mundo dos toiros para defender quem se entrega de corpo e alma, pois até agora tem estado algo apagados e não tem conseguido impor as suas reivindicações junto dos empresários.
Por fim, um grande abraço e apesar de não ter simpatizado logo contigo, quando entraste para o grupo, vejo-te neste momento como uma pessoa importante como forcado, pela tua dinâmica em prol do grupo e pela tua presença constante nas actividades do grupo (quer sejam nas Caldas ou em Lisboa), enfim um exemplo para muitos que não são das Caldas (ou mesmo para alguns das Caldas...). Obrigado por tudo. Fred.

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