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Quinta-feira, 11 de Maio de 2006

Um Dia em Saigão (Vietname) - Batata Quente - João Frade

Rodrigo percorria as bancadas com os olhos, o sol de verão queimava-lhe gentilmente o rosto. A praça estava quase cheia, típico num 15 de Agosto.


Os berros do cavaleiro despertaram-no. Tentava colocar o touro mas este não estava com vontade de colaborar. Não admira – pensou Rodrigo – com este calor também não lhe apetecia grandes esforços.


- Que porcaria de manso! - rosnou alguém a seu lado.


O cavaleiro encolhendo os ombros dirigia-se para a saída, ia explicando com mímicas ao público que o touro não dava para tourear. Também não lhe apetecia grandes esforços pelos vistos.


O cabo do grupo, apanhado de surpresa, começou apressadamente a distribuir as posições. Já não tinha tempo para aquele ritual de passar três vezes por todo o grupo, sorrindo e tentando ler nos olhos a disponibilidade de cada um.


Semi-parou em frente de Rodrigo olhou-o nos olhos e atirou: - Segundas!? – era um misto de pergunta e de afirmação, ninguém contesta a decisão do cabo e muito menos diz que não. Todos têm de estar preparados para tudo.


Os elementos escolhidos davam um passo em frente e começavam a fingir que aqueciam os músculos e as articulações. Aqueles eram já movimentos mecanizados, uma espécie de ritual a que Rodrigo também não se furtou. Pelo sim, pelo não mais valia fazer o aquecimento.


Olhou para o lado e viu o cabo abraçado ao Nuno enquanto este agarrava o barrete. Uma boa escolha – pensou – Nuno era já um veterano, como o indicava a barriguinha de trintão que começava a aparecer por detrás da cinta, mas era ainda o forcado da cara mais eficaz do grupo.


Nuno passou pelo grupo recebendo incentivos e palmadas nas nalgas. Rodrigo sempre achou aquilo das palmadas um bocado gay mas era outro ritual e "slap" deu-lhe também uma colocando-se depois atrás dele e dos elementos escolhidos que apressadamente se dirigiam para a esquerda do director de corrida.


Passaram pelo outro grupo que também os incentivou. Raramente eram o grupo mais antigo em praça e como tal colocavam-se à direita do director deslocando-se depois para a frente do outro grupo para saltarem para a praça.


O peão de brega tentava colocar o touro no canto oposto à porta dos curros conforme o cabo lhe tinha indicado mas não estava a ter muito sucesso. Parecia uma bailarina de volta do touro abanando-lhe o capote à frente do focinho.


- Baixa-lhe a cabeça – gritou à sua esquerda Pedro, que nesta pega ia rabujar.


Rodrigo calculou as distâncias para saltar. Não havia nada menos prometedor do que levar com um pé na cara e aterrar de queixo na praça. À sua direita estava o outro segunda Manolete, velho parceiro de borga, sorriu e disse-lhe em jeito de incentivo: - bora lá!


No canto oposto aos curros o peão de brega deixava o capote ser-lhe arrancado das mãos e saltava as tábuas para não ser agarrado pelo touro. Tudo normal pensou Rodrigo. O público que batia palmas ao grupo riu-se nervosamente do salto do peão de brega que se safava por centímetros de uma cornada.


Ouviu-se então a corneta mandando o grupo saltar para a praça.


Rodrigo benzeu-se, colocou as duas mãos nas tábuas e atirou as pernas para o outro lado. O grupo aterrou todo ao mesmo tempo. O outro lado das tábuas era outro mundo. Ali já não se ouvia o público, naquele palco eram apenas eles e o touro.


O grupo colocou-se todo muito junto das tábuas, terceiras, rabejador, segundas e primeira todos em apenas 5 metros. Era sempre a corrida mais importante para o grupo e iam dar vantagens ao touro. No centro da praça Nuno começava a brindar ao público.


Ninguém podia adivinhar o que iria acontecer.



Fim do primeiro capítulo


(A Batata Quente passa para um míudo que tem estado a pegar muito bem este ano nos treinos, o Xavier)


                                                       II CAPÍTULO


Rodrigo concentrou-se e tentou adivinhar qual seria o comportamento do touro. Pelo pouco que tinha visto do touro parecia que não se tinha entregue muito à lide do cavaleiro, por isso ou iria arrancar-se a muito custo tendo Nuno de o ir sacar quase junto às tábuas aguentando depois uma viagem com o touro a tentar sacudir o forcado, ou então o touro ficaria sempre a defender-se junto às tábuas dando apenas uma mangada para tirar o forcado da cara.


Qualquer uma das perspectivas não era muito agradável para Nuno e para o grupo.


Mas isto não eram certezas matemáticas, nunca se sabia bem como o touro se ia comportar e Rodrigo pouco tinha visto do touro já que passara maior parte do tempo à procura de alguém nas bancadas.


- Bolas, devia ter estado com mais atenção ao touro – pensou Rodrigo.


Atrás de si Pedro, o rabejador, baixava-se para apanhar areia. Rodrigo e Manolete estavam juntos de frente tentando-se esconder por detrás de Sousa o primeira ajuda, enquanto esticavam o pescoço para os lados para tentarem ver o touro.


- Tenho impressão que vai ser uma bela bomboca… – disse Manolete.


- Ná, vai ser mel vais ver. – mentiu Rodrigo.


À frente do primeira, Nuno enterrava o barrete gasto pela cabeça abaixo deixando apenas os olhinhos de fora. Também ele sabia da bomboca que tinha pela frente. Era o sexto sentido de 12 anos de forcado com algumas idas ao hospital e várias costelas partidas. Mas tinha a esperança de conseguir fazer o touro arrancar-se das tábuas para depois o pegar enquanto o trazia consigo a recuar.


Nuno bateu as palmas e citou – Toiro Toiro! – atrás de si os ajudas mexiam-se nervosamente.


A praça escondeu-se em silêncio.


Não teve de citar mais nenhuma vez. O Touro que se encontrava distraído com o capote do peão de brega, voltou-se ao ouvir tal ruído e arrancou lesto, cauda na horizontal, focinho levantado e cornos no ar. 550 quilos de massa bruta em movimento.


Sousa abriu automaticamente os braços e avançou. Nuno surpreendido com o arranque do touro deu um pequeno passo e carregou o touro para o fixar – Toiro.


Pedro, o rabejador, empurrava Rodrigo e Manolete para a frente enquanto gritava: - Vem aí, já vem aí!!


Com o passar dos anos Rodrigo já conseguia ver a pega cada vez mais devagar. Ao princípio parece que tudo acontece em menos de um segundo. O Touro arranca, vê-se um amalgamado pouco claro de pernas e braços a vir e tenta-se agarrar o que lá vier. Depois vai-se conseguindo perceber melhor o que se passa e ajudar melhor, compensar o forcado da cara se ele vier com as pernas soltas, etc.


Só que este touro vinha em fast-forward…


Fim segundo capítulo

publicado por cid às 16:38

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16 comentários:
De slvia a 16 de Maio de 2006 às 22:39
Bom, não podia deixar passar este texto sem fazer um comentário... poix é! meus amigos..nem eu sabia bem que ele era capaz deste feito mas devo confessar que realmente fiquei muito...mesmo muito orgulhosa! E sossegem que em relação aos "parafusos a menos" eu dou conta disso!!(ou não!)E claro, tb eu estou curiosa com o desfecho até porque quero particularmente saber quem é que o tal "rodrigo" procurava na praça!!!LOLO!
beijinhos para todos e vou pressionar para vir o próximo capítulo!!!!!
De gonalo cardoso a 16 de Maio de 2006 às 20:34
ta completamente lindo! tens de fazer 1 livro!
abraços
De Daniel Pedro a 15 de Maio de 2006 às 13:11
Grande Jota, eu bem dizia que o Rodrigo vai encher a mala e continua convicto que isso vai acontecer! Mas já que o toiro vai em fast-forward, podias fazer o mesmo para a publicação dos capitulos, é que se for uma corrida de seis toiros, nem para o ano a historia acaba! Parabéns pelos textos e fico ansioso por ver os próximos! Só mesmo tu... Grande abraço
De Adriana a 15 de Maio de 2006 às 08:16
Parabens pela historia,foi komo ja disseram genial mesmo.Parabens!!
Ja vi o artigo curto sobre a questão das touradas e dos fundamentalistas anti-tauromaquia cujo link esta num comentario mais acima,é mt bom o artigo axo ke vale a pena passar por la.
Parabens pela historia e um mt obrigada por td o que fazem pela festa e pelos aficcionados,Um muito obrigada a TODOS voces.
De Ana a 14 de Maio de 2006 às 21:30
Tenho a dizer-lhe que estou deveras ansiosa pelo resto da história, está a deixar-me num mix de intrigada com curiosa... Agora que a corrida da Benedita já deve ter terminado , espero que tenha corrido tudo pelo melhor. Vou ficar aguardar ansiosamente pelo desfecho de tão grandiosa história
De Pedro Carvalho a 13 de Maio de 2006 às 12:37
Parabens, esta ideia de "Touradónovela" está muito bem conseguida e excelentemente escrita. Estás a deixar os teus leitores anelantes (pelo menos a mim). Afinal não "flipaste". Um abraço. Pedro Carvalho
De teresa a 12 de Maio de 2006 às 20:58
Soube hoje de um artigo curto mas inspirado da Helena Matos (jornalista do Público e outros) sobre a questão das touradas e dos fundamentalistas anti-tauromaquia.
Vale a pena ler e vale a pena anotar. É sempre bom contar espingardas entre a comunicação social (mesmo a bem pensante, ou sobretudo essa)...Nunca se sabe quando dá jeito!

Aqui deixo o link:
http://www.filedu.com/hmatosemdefesadastouradas.pdf (http://www.filedu.com/hmatosemdefesadastouradas.pdf)
De Bernardo Mendia a 12 de Maio de 2006 às 20:23
Está lindo... começando no texto, passando pelos comentários... agora só falta continuar esse livro. Está muito leve e muito porreiro. Na Benedita é como só nós sabemos: a bombar!!!!!!!!!
De Miranda a 12 de Maio de 2006 às 17:10
Grande Jota, tenha apenas uma coisa a dizer-te: faltam os restantes capítulos!!!! Também todos sabemos que já tem havido muitas tardes de verdeiro Vietname e que, se calhar, não estejamos a falar apenas de um livro mas talvez de uma colecção por fascículos.... Atenção a essa coisa do lobby gay (já havia o outro que ia sentir saudades de tomarmos banho todos juntos...) e isso começa a levantar suspeitas.... A sério, muitos parabéns pelo teu texto (está muito bom...) e espero que tenhas mais algumas tardes para te inspirares nos próximos capítulos (mas sem Vietname a mais, digo eu....).. Grande abraço
De Daniel Pedro a 12 de Maio de 2006 às 10:51
Grande Jota, a tua batata quente é simplesmente genial! Como diz o Vinhais e muito bem, já todos sabiamos da tua falta de parafusos, mas escreveste um texto que no meu entender só podia ser teu! Fico ansioso à espera das cenas dos próximos capitulos, mas, ou muito me engano e tu realmente mudaste, ou então o Rodrigo vai encher a mala... Ehehehe! Grande abraço e até Domingo.

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