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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2006

Do outro lado...

Nota do Editor: há uns dias recebemos no nosso mail um texto de uma amiga de longa data do Grupo. No mail dizia apenas "Só para partilhar..". Depois de ler atentamente o texto decidi publicá-lo neste blog essencialmente por 3 motivos: 1º pela iniciativa, 2º pela qualidade da escrita e pela perspectiva um pouco diferente que nos oferece da vida do GFACR , e 3º para que sirva de incentivo a que mais pessoas ligadas ao Grupo escrevam para este blog que é de todos....


 


Este tempo de defeso acaba por se revelar demasiado longo e as saudades, inevitáveis, acabam por se traduzir numa ansiedade enorme de voltar a ir aos toiros, do contacto com o campo e de tudo o que envolve a Festa…
 
Isto fez-me “espreitar” uns sites taurinos há uns dias atrás, cheia de vontade de saber novidades, ver os cartéis, (que começam a surgir!), estar a par do que se vai passando nesta fase de preparação da próxima temporada…E dei por mim a ler um texto de um repórter taurino que passou um dia na companhia de um grupo de forcados…


No fim do texto, havia uma parte que dizia:


“ Foi assim que passei a tarde, noite, madrugada e resto do dia seguinte com o Grupo…Tenho pena de não conseguir transmitir mais do que consigo escrever, pois passar um dia e viver de perto todas as emoções de um Grupo de Forcados é algo que nunca mais se esquece na vida. Qualquer rapaz que a troco de nada bate as palmas a um toiro e se conforta com um sorriso, com uma flor, ou uma palmada amiga…é algo de belo que não tem explicação…”


Achei estas palavras de uma beleza incrível e reconheci, imediatamente, o sentimento que este repórter tentava transmitir!....


Quando há cerca de 12 anos atrás surgiam, nas Caldas, as primeiras movimentações entre antigos (e na altura alguns ainda actuais) forcados e aficionados para se formar um novo Grupo de Forcados nas Caldas, lembro-me de acompanhar entusiasticamente, (na altura através do meu pai), o desenrolar daquele projecto! Nessa altura, os “velhotes” do Grupo, (como carinhosamente são chamados), eram “miúdos” cheios de vontade de pegar toiros e de aprender o que isso era!...


As coisas mudaram…Esses “miúdos” cresceram; entraram novos elementos no Grupo; uns já se retiraram; continuam a aparecer caras novas; os cabos mudam…Enfim, o rumo natural de um Grupo…E mudou também a forma como eu vejo e acompanho o Grupo!...Se antes ia às corridas pela mão do pai e assistia, da bancada, à prestação de pessoas que conhecia, mas com quem, (sendo um pouco mais velhas do que eu), não tinha outro tipo de relação para além de os conhecer através do meu pai, de há muitos anos para cá, quem está lá dentro, muitas vezes, são alguns dos meus melhores amigos…


E é aí que eu digo que as coisas mudam...


É difícil ficar indiferente a alguém que se entrega de corpo e alma ao toiro e aos sete amigos com quem se salta à arena…Só mesmo quem nunca viveu de perto essas emoções pode não entender ou não dar valor. Não sei o que se sente quando se pega um toiro!...Foram inúmeras as descrições que me foram feitas por pessoas tão diferentes; de gerações, Grupos e de vivências tão distintas, (até porque cada um sente as coisas à sua maneira), mas, por melhor que seja a descrição, o sentimento, esse, é impossível ter!… Só quem é forcado tem esse privilégio!...


Mas também há um lado fascinante e intenso para quem não pega toiros!...
Quando digo que “reconheci” o sentimento que o tal repórter tentava transmitir, digo-o porque partilho das mesmas palavras. Realmente “passar um dia e viver de perto todas as emoções de um Grupo de Forcados é algo que nunca mais se esquece na vida”!!! Não me refiro aos jantares, às noites prolongadas, de festa, depois de uma corrida…Isso é tudo muito bonito e não se esquece, mas não é o mais importante, apenas um complemento que surge por acréscimo!



A partilha dos momentos de alegria e dos menos bons; o nervoso miudinho que antecede cada corrida; a ansiedade quando, na arena, as coisas não estão a correr como todos desejaríamos; o alívio quando tudo se resolve e a pega é consumada com sucesso e a alegria quando tudo corre bem, isso sim, é, para mim, o que fica guardado para sempre… 


Gosto sempre daqueles dias de corrida, em que se sai cedíssimo; (“alguém” se perde no caminho!); ao chegar, se ocupa por completo o “Café Central”; toda a gente se concentra junto ao local da fardamenta; se fala do peso dos toiros; como irão sair; quem sairá à cara; o que é que o Cabo terá dito lá dentro para eles saírem cá para fora com estas caras…Toda a envolvente…Gosto mesmo!!


E todos esses momentos nos prendem muito mais e nos fazem, não só entender melhor o que cada forcado sente, como, também, cria em cada um de nós uma forma muito especial de viver a Festa!
Quando, com o passar do tempo, comecei a acompanhar mais de perto o G.F.A.C.R., fi-lo, pelos meus amigos!...Muito mais do que a afición que sempre tive, deixar de apenas assistir à corrida, para passar a estar presente nas fardamentas, nos jantares, nos treinos e noutros momentos do Grupo, deve-se ao facto de que, com o tempo, os elementos que se fardavam, que muito provavelmente iriam pegar…eram os meus amigos!


Claro que uma coisa leva a outra e quando se está presente nestes momentos tão especiais, acabamos por estar envolvidos por tudo o que se passa com o Grupo e a amizade acaba por se alastrar aos amigos dos nossos amigos e acaba por se sofrer por todos quantos estão “lᔠdentro!...
Também na bancada se sofre! E é impossível não sofrer pela mãe, irmã, mulher, namorada, que está ao nosso lado!! É contagiante...E se, como disse há pouco, é impossível ficar indiferente a quem dá tudo o que tem, muito mais nos toca quando se trata de pessoas que nos são próximas…


Mas se é interessante este tipo de convivência em dia de corrida, tudo se torna mais interessante e fascinante quando a isto se soma as idas aos treinos (ver as apostas do Cabo e as “revelações” que surgem, acompanhar a evolução de cada elemento…); as conversas sérias que surgem nas ditas noites de festa, após a corrida, em que muitas vezes, em conversa com alguns elementos, acabo em saudáveis “discussões” pelos diferentes pontos de vista da análise da corrida…


Quando se vive de perto estes momentos, garanto-vos que, por mais simpatia que se tenha pelos Forcados em geral, sente-se um carinho muito especial por este Grupo!


De tal forma que, mesmo quando não é possível estar presente, não nos esquecemos do dia de corrida e tem que haver sempre os ditos telefonemas antes, durante (às vezes em directo!) e depois da corrida! É sempre pior quando não se está presente…E se, de alguma maneira, quem está de fora pode dar o seu contributo, pelo menos o apoio, o estar lá (principalmente nas piores alturas) e a vontade enorme de que tudo corra pelo melhor, está garantido! (Ainda hoje acho que, quando a 20 de Agosto do ano passado, em Colónia, no Encontro Mundial da Juventude, em pleno “Marienfeld”, ao não poder estar presente na corrida da Nazaré, vos tive nas minhas orações, acredito que foram ouvidas! Bem, pelos vistos não para essa corrida, que as coisas não correram assim tão bem…Mas para o resto da temporada!!!! Fui eu!!!!). Agora estou a brincar, claro!


Ao longo destes anos, é com alegria que tenho vindo a assistir ao crescimento do Grupo, de todos os elementos, não só dentro, como fora de praça! Porque esse crescimento deverá ficar para toda a vida…Para mim, um forcado nunca deixa de ser forcado, porque, a meu ver, é uma forma de estar na vida! E mais do que os toiros pegados, a partilha, os valores que se foram enraizando e as vivências (que nestas circunstâncias ganham uma dimensão gigante), são o que de melhor se pode guardar…Isto, na minha opinião, claro!


É sempre um prazer partilhar a paixão pelos toiros, sobretudo quando, simultaneamente, nos é dada a alegria de aplaudir de pé um amigo pela forma como vive essa paixão! (Óscar, esta é para ti!)


Bem, o que começou com um impulso de querer partilhar convosco o que aquelas palavras me fizeram sentir acabou por se tornar num testamento!!!!! Desculpem!!


Haverá, concerteza, outras oportunidades de o desejar, mas, desde já, SORTE para a próxima temporada!!


Que a jaqueta de ramagens vos traga as maiores alegrias!...


Ana Cunha

publicado por cid às 13:59

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8 comentários:
…

Informações Úteis para as CLASSES SOCIAIS Média, Média-Alta, Alta e RICOS.

UNIVERSIDADES e INSTITUTOS POLITÉCNICOS (Públicos e Não Públicos) versus ESCOLAS TÉCNICO PROFISSIONAIS com ACESSO AO ENSINO SUPERIOR.

In “Livro aconselhado às Escolas Técnico Profissionais com acesso ao Ensino Superior”, http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_12.html#893945

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-- Em cada dois (2) alunos universitários um (1) não acabará o Curso !?!?!?!?!?!?!?!?!
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Nota: Em ENGENHARIA É MUITO PIOR. Em cada quatro (4) alunos universitários três (3) não acabarão o Curso !?!?!?!?!?!?!?!?!
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Ou seja. Dos ALUNOS QUE ENTRAM nas Universidade e Politécnicos (Públicas ou Privadas) CINQUENTA POR CENTO (50%) -- NÃO CHEGA -- A ACABAR O CURSO. A maior parte desiste nos 3 primeiros anos do Curso.

No total Duzentos e Vinte e Cinco Mil (225.000) alunos não terminarão o Curso. Logo Dinheiro do Estado e dinheiro das Famílias deitados ao lixo todos os anos (Mais de 4.500.000.000 de Euros anuais).

Nota: Não se preocupem com os POBRES. Porque nas Universidades e Politécnicos (Públicos e Privados) há:

- Um por Cento (1%) de Pobres;

- Sete por Cento (7%) de Classe Média-BAIXA.

- Noventa e Dois por Cento (92%) de Classes Média, Média-Alta, Alta e Ricos. E SÃO ESTES QUE SE LIXAM!! Abram os Olhos!


-- Um CURSO DE CINCO (5) ANOS É FEITO, em MÉDIA, em OITO (8) ou NOVE (9) anos!


-- Dos Cinquenta por cento (50%) que TERMINAM O CURSO:

1) Setenta por cento (70%) tira-o a COPIAR!!?!!?. Senão CHUMBAVAM também (seria 85% que não acabaria o Curso !!?!??!?!?!) e Profissionalmente serão uma mer.da e medricas e inseguros. E precisarão de trabalhar dezasseis (16) horas por dia (perguntem aos Licenciados. Doutores e Engenheiros.) para produzir quatro a cinco (4 - 5) horas de riqueza;

2) Só DOIS POR CENTO (2%) !!!?!!?!! é que - IRIAM - CRIAR RIQUEZA (Empresas) ao País MAS … PIRAM-SE para o Estrangeiro.

3) Os OUTROS 48% VÃO CONSUMIR/GASTAR a riqueza criada/gerada/construída pelos que não chegam à Universidade. Sejam eles ´Pagadores-de-Impostos´ sejam eles ´Fugidores-aos-Impostos´.

SOLUÇÕES SIMPLES:

i - FECHEM todas as Universidades e Institutos Politécnicos durante cinco (5) anos e ABRAM Escolas Técnico Profissionais COM ACESSO À UNIVERSIDADE.;

E/OU ENTÃO,

ii - AUMENTEM AS PROPINAS, anualmente, para CINCO (5) VEZES o SALÁRIO MÍNIMO NACIONAL (nos Institutos Politécnicos Públicos e nas Universidades Públicas).

Prova dos Nove contra os Aldrabões e Aldrabonas e a sua “Ladainha dos Pobrezinhos”.

Ver: “Alunos COM POSSES têm mais hipóteses no ENSINO PÚ-BLI-CO”, http://jn.sapo.pt/2004/08/22/sociedade/ha_portugal_cultura_facilitismo.html.


OFERTA PELA DIVULGAÇÃO DESTE DOCUMENTO:

TODOS os Alunos PODEM E - DEVEM – Candidatar-se / Concorrer TODOS os anos à BOLSA DE ESTUDO nas Universidades e Institutos Politécnicos (Públicos e Não Públicos):

"Oh ALUNOS Portugueses III" - SUBSÍDIO ESCOLAR e BOLSA DE ESTUDO , 30 Abril de 2004 em http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt/arquivo/2004_04.html#128423

José da Silva Maurício




De Daniel Pedro a 31 de Janeiro de 2006 às 14:58
Ana, este teu texto é mais uma prova que um grupo de forcados é muito mais do que uns amigos que por acaso pegam toiros! É este espirito que falas e que sentes que nós tentamos a todo o custo que nunca desapareça! Obrigado pelas tuas palavras e sobretudo pela tua presença e sinceridade! Beijinhos
De Bernardo Alonso a 31 de Janeiro de 2006 às 12:07
Anita sinceramente depois de ler este testemunho tão bonito e sincero não sei como te agradecer. Apenas te posso dizer MUITO OBRIGADA, e é com orgulho que te digo que vou guardar estas tuas palavras para sempre!! Sem duvida que é este o espirito que o GFACR é feito, como tal fazes parte dele! Grande beijinho
De Miranda a 31 de Janeiro de 2006 às 11:31
Ana, não há duvida nenhuma que o ambiente em dia de corrida em sempre algo de especial... E já estamos todos ansiosos que esses dias voltem... È também óptimo ler como algo que muitas vezes julgamos muito nosso, o GFACR, é de facto de muitas outras pessoas que o vivem e acompanham tão intensamente como aqueles que vestem a sua jaqueta... Muito obrigado pelo apoio que sempre tens dado ao Grupo e pela iniciativa de enviar o texto...
De scar Carvalho a 31 de Janeiro de 2006 às 10:40
Pucanina, obrigado por partilhares essas emoções. O teu texto está muito bom, quando o estava a lêr senti cada palavra e até senti o cheiro dos dias de corridas. Obrigado por acompanhares o Grupo e a forma como vives as nossas alegrias e tristezas tão intensamente. Espero que o teu apoio se prolongue por muitos e bons anos!!
De Nuno Vinhais a 30 de Janeiro de 2006 às 23:11
Ana, muito obriado por transmitir esses sentimentos. O nosso Grupo não vive só dos Forcados que pegam os touros, a familia, namoradas, mulheres, amigas...tudo junto é que permite um óptimo ambiente. Espero que continues a apoiar o GFACR por muitos e bons anos. Beijinhos
De Francisco Calado a 30 de Janeiro de 2006 às 20:17
Agradeço-te por partilhares conosco aquela visão que nós não temos e por vezes não nos é transmitida com tanto realismo, com tanto sentimento. Este é um exemplo de ajuda aos elementos do Grupo que nos faz sentir bem e confiantes, pois temos os nossos amigos a viver experiências intensas conosco.Ana, obrigado pelo teu apoio a todo o Grupo de Forcados Amadores de Caldas da Rainha ao longo destes anos. Um beijinho
De Manel Cid a 30 de Janeiro de 2006 às 15:59
Ana. Obrigado por partilhares conosco este texto. Está realmente espectacular e está bem vivo o que sentes pelo GFACR. Está muito bem descrito akilo que se sente nas fardamentas, nos momentos antes das corridas e no burburinho da trincheira. É realmente isso. Pela parte k me toca, obrigado por acompanhares o grupo e obrigado por o viveres tão intensamente... Beijinhos

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